Posted: 09 Dec 2011 07:11 AM PST
Presidenta
Dilma participa da cerimônia de entrega do Prêmio Direitos Humanos 2011
no Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
O respeito aos direitos humanos é condição para o desenvolvimento do
Brasil, afirmou hoje (8) a presidenta Dilma Rousseff. Na cerimônia de
entrega do Prêmio Direitos Humanos 2011, ela começou seu discurso
citando as sequelas deixadas pela escravidão no país. A principal delas,
segundo a presidenta, é a exclusão de milhões de brasileiros do
desenvolvimento.
“A escravidão no Brasil tem uma contribuição muito
maléfica. Permitiu que, ao longo da nossa história, a inclusão social e a
distribuição de renda fossem tratadas como uma questão menor do
desenvolvimento. Hoje nós temos a clareza que não é possível um país de
190 milhões de habitantes crescer apenas para alguns.”
Além da escravidão, os regimes de arbítrio também provocam “efeitos
distorcidos” sobre a sociedade, avaliou Dilma Rousseff. Para ela, a
conquista dos princípios democráticos mudou o país que viveu sob um
regime sob o qual “opinar podia levar ao cárcere e à morte”.
“O Brasil devorou, digeriu esses artifícios autoritários e
conseguiu construir uma democracia. Somos um país em que divergir não é
mais sinônimo de exceção. Prefiro o barulho às vezes dolorido da
imprensa livre que o silêncio das ditaduras”, disse.
Segundo a presidenta Dilma, o Prêmio Direitos Humanos é um
reconhecimento do Estado brasileiro aos que não só consideraram
importante a luta em defesa da Declaração dos Direitos Humanos, mas
transformaram a letra em realidade.
“Quero reconhecer o quanto o Brasil precisa da atuação de vocês,
cidadãos corajosos, obstinados, protagonistas da luta contra a
violência, a injustiça e a desigualdade. A militância é decisiva para
fortalecer a cada dia o projeto de desenvolvimento.”
Premiados -- Reconhecida pela firme atuação contra
grupos de extermínios, a juíza Patrícia Acioli, da comarca de São
Gonçalo (RJ), foi assassinada em 11 de agosto deste ano com 21 tiros. Na
defesa da vida, Patrícia ofereceu a própria vida, disse o defensor
público José Augusto Garcia de Souza, amigo da juíza. Quatro meses
depois, a juíza foi condecorada pelo governo brasileiro com o Prêmio
Direitos Humanos 2011 na categoria Enfrentamento à Violência. Sua irmã,
Simome Acioli, veio à Brasília com a sobrinha Ana Clara para receber a
homenagem que, definiu, “acalenta a alma”.
O Prêmio Direitos Humanos é a mais alta condecoração do governo
brasileiro a pessoas e entidades que se destacaram na defesa e na
promoção e também no enfrentamento e no combate à violações dos direitos
humanos no país. Os 21 contemplados em 2011 receberam um certificado
assinado pela presidenta Dilma Rousseff e um trófeu em vidro recortado,
desenhado pelo artista plástico João Paulo Sirimarco Batista a partir de
personagens que representam as categorias do Prêmio.
Pela luta em defesa da Igualdade Racial, Creuza Maria Oliveira também
foi agraciada com o Prêmio Direitos Humanos 2011. Do sertão da Bahia,
de onde saiu aos dez anos de idade, Creuza ingressou, em 1984, na luta
pelos direitos da trabalhadoras domésticas. Hoje, preside a Federação
Nacional das Trabalhadoras Domésticas e integra o Conselho Nacional da
Promoção da Igualdade.
Ex-morador de rua, Anderson Lopes Miranda foi contemplado na
recém-criada categoria Garantia dos Direitos da População em Situação de
Rua. Após o assassinato de sete pessoas que dormiam na Praça da Sé, em
São Paulo, articulou a criação do Movimento Nacional dos Moradores de
Rua.
Presidenta Dilma Rousseff acompanha posse de Cristina Kirchner, reeleita presidenta da Argentina
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