Posted: 25 Nov 2011 08:16 AM PST
Presidenta
Dilma cumprimenta subchefe de máquinas Alessandra dos Santos, na
cerimônia de entrega do navio Celso Furtado no Estaleiro Mauá. Foto:
Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff participou hoje (25) da cerimônia de
entrega do navio Celso Furtado no Estaleiro Mauá. É a primeira
embarcação entregue por um estaleiro brasileiro ao Sistema Petrobras
desde 1997. Sua construção faz parte do Programa de Modernização e
Expansão da Frota (Promef), que marca a retomada da indústria naval
brasileira com a abertura de novos estaleiros e a modernização dos
existentes.
No discurso, Dilma Rousseff lembrou o desmonte vivido pela indústria
naval no Brasil. Seu ressurgimento, afirmou, é resultado do esforço do
ex-presidente Lula, que acreditou no trabalhador brasileiro.
“A indústria naval, quando o presidente Lula chegou ao
governo, estava paralisada. E você via no chão, nos muitos estaleiros
que já tinham produzido navio, a grama crescendo por entre as pedras.
Isso foi responsabilidade de um momento terrível da nossa história, em
que nós tivemos uma das maiores perdas para os trabalhadores do setor
metalúrgico do Brasil. E aí, o presidente Lula tomou uma decisão. Nós
podemos produzir no Brasil o casco, o navio e a plataforma.”
A presidenta Dilma disse ainda que a indústria naval vai continuar
gerando emprego. Além da Petrobras, as empresas de petróleo que atuam no
país vão manter seus investimentos, o que aumentará a demanda por
navios, plataformas e sondas. Os postos de trabalho aqui criados,
afirmou a presidenta, não sairão do país.
“Eu lutei muito para que o Brasil voltasse a produzir o que ele era
capaz. Nós não vamos transferir emprego para ouros países do mundo. Os
empregos gerados para o Brasil serão mantidos no Brasil.”
A presidenta fez uma homenagem ao economista Celso Furtado
(1920-2004), que, segundo ela, soube separar crescimento de
desenvolvimento.
“Um país só se desenvolvia se os empregos ficassem cada
vez melhor, se cada família pudesse colocar seu filho na escola e ter
acesso à saúde. Para ter desenvolvimento, teria que ter crescimento,
geração de emprego e distribuição de renda. Senão, não era
desenvolvimento.”
Programa de Navios - Com o Celso Furtado, já foram lançados ao
mar quatro navios, todos batizados em homenagem a importantes
personagens da história do Brasil. Com capacidade para 48,3 mil
toneladas de porte bruto, ele será responsável pelo transporte de
combustíveis (gasolina e diesel) entre os estados.
Segundo a Transpetro, subsidiária da Petrobras, duas mil pessoas
trabalharam na construção do navio. Uma delas, Alessandra dos Santos,
subchefe de máquinas, não segurou a emoção. No discurso, falou do antigo
sonho de ser comissária de bordo que deixou de lado quando conheceu o
trabalho da Marinha Mercante. Trocou o céu pelo mar e acompanhou de
perto a construção do Celso Furtado.
“Há dez meses acompanho o nascimento do navio que já faz
parte da minha vida. Assim, não poderia deixar de prestar homenagem a
todos os trabalhadores do Estaleiro Mauá. Vi de perto o empenho e
dedicação de cada um deles que ajudaram a transformar esse sonho em
realidade.”
Pelo Promef, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), deverão ser entregues, até 2015, 49 navios petroleiros e gaseiros
de grande porte, sendo 23 deles na primeira fase do projeto (com 65% de
nacionalização) e 26 na segunda etapa (com 70% de nacionalização). Com
isso, a frota da Transpetro, hoje com 53 navios, vai superar o número de
110 embarcações.
“Há dez anos, a indústria naval brasileira estava
destruída. Não havia navios em construção, não havia funcionários,
apenas um resíduo de dois mil funcionários, e nada mais. Hoje são 60 mil
funcionários que trabalham na industria naval brasileira”, disse o
ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
Selo e carimbo comemorativos foram lançados pelos Correios na
cerimônia no Estaleiro Mauá. Acompanha a imagem da embarcação Celso
Furtado, a legenda: Primeiro navio do PAC em operação.
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